Estuans Interum Ira Vehementi


22/08/2005


Vou colocar algumas estrofes da poesia que eu mais gosto do Fernando Pessoa... "Opiário"... trocando o ópio pela bebida ela ainda ganha algum sentido...

 

Já decidi-me... o próximo post será o último, e agora é verdade. Vou tomar um garrafa de vinho dum gole só e escrever o que sair... a vida é um pouco chata... e os bêbados são mais sinceros...

 

É antes do ópio que a minh'alma é doente.   
Sentir a vida convalesce e estiola  
E eu vou buscar ao ópio que consola  
Um Oriente ao oriente do Oriente.

 

...

 

Ao toque adormecido da morfina 
Perco-me em transparências latejantes 
E numa noite cheia de brilhantes, 
Ergue-se a lua como a minha Sina. 

 

...

 

Por isso eu tomo ópio. É um remédio 
Sou um convalescente do Momento. 
Moro no rés-do-chão do pensamento 
E ver passar a Vida faz-me tédio. 

 

...

 

Se ao menos eu por fora fosse tão  
Interessante como sou por dentro! 
Vou no Maelstrom, cada vez mais pró centro. 
Não fazer nada é a minha perdição. 

 

...

 

E afinal o que quero é fé, é calma, 
E não ter estas sensações confusas. 
Deus que acabe com isto!  Abra as eclusas — 
E basta de comédias na minh'alma!

 

Ah... estava lendo o nosso glorioso jornal "O Diário". Uma matéria da capa me chamou a atenção: "Frigorífico multado por frango com água". A imagem de um frango molhado aplicando uma multa ao dono do frigorífico não me sai da cabeça...

Escrito por Felipe às 10h37
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18/08/2005


Acho que fiz um haikai, um haikai político... hum haikai político em forma de diálogo... ah! eu nem gosto de haikai eheuehueuh

 

Comunismo brasileiro

 

___ És comunista?

___ Não! Juro pela revolução, camarada!

 

(que post mais idiota...)

Escrito por Felipe às 14h26
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11/08/2005


Terça-feira foi um dia estranho, eu estava com muita raiva de mim mesmo. Uma menina que a principio não reconheci me parou e disse...

 

___ Tudo bom sumido?

___ Eu?

___ É! tudo bom?

___ Não. E estou pior agora. Além disso, sempre morei na mesma casa e meu telefone sempre foi o mesmo, então não venha com esse clichezinho idiota "tá sumido", "tá sumido heim?", "Nossa, tá sumido" (tudo com voz de idiota). Acha mesmo que se eu tivesse a capacidade de desaparecer ia surgir justo na frente de uma patty que não falou comigo sequer duas vezes num ano inteiro que estudamos juntos?!

___ Vai se fuder!

 

Entáo eu fui embora sem dizer mais nada. Eram palavras que eu sempre quis dizer, nem sei porque fiz isso. Eu sequer consigo dizer não para as pessoas. Me senti orgulhoso, a grosso modo, e até fiquei um pouco mais contente. Será que a raiva distorce o verdadeiro ser ou o mostra como verdadeiramente é? Pensarei...

Estava chegando em casa, eram umas 9 horas da noite. Vi um mendigo perto de um bar, estava muito frio. Lembrei-me de uma vez em que estavamos num buteco, Xicão, Vinicius, Kleber, Jack, Rafa e eu. Foi um dia em que pagamos conhaque para um andarilho e chamamos ele pra comer pizza, estava muito mais frio esse dia. Lembrei que isso havia me trazido uma certa felicidade. Pois bem... vi aquele cara e remeti àquele dia. Eu não tinha um cobertor para lhe arranjar, e na verdade acho qeu não considerava chegar a esse extremo, acho que não sou tão bom assim. Então comprei uma garrafa de pinga e dei pra ele. Ora, pinga esquenta! Além disso, aposto que ele ficou mais agradecido do que se eu lhe tivesse arrumado um cobertor. O cara quase chorou, bêbados são sinceros, eu acho. Hum... tá.. até mais ver...

Escrito por Felipe às 17h05
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07/08/2005


A morte do silêncio...

 

Disfarça-se no teu aspecto deletério

O pluralismo dos suicídios apaixonados,

A beleza dos crepúsculos dourados

E o enigma astronômico do mistério!

 

Um sonho morre sonho, e sidéreo

Voa, ao orfanato dos amores calados,

Para todos, taciturnos e amedrontados,

Ornamentarem meu silêncio cinéreo...

 

Vejo-te, e num palor cadavérico, calo!

Em homéricas geadas tremo de medo,

Traço o azeviche da elegia inacabada...

 

No meu tugúrio de nomes não falo,

Mas ouça o grito que extirpa o segredo

Sem dizer absolutamente nada!

Escrito por Felipe às 22h04
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03/08/2005


Não sei... mas já ouvi tanto a frase "Será que dessa vez eu vou cortar o seu cabelo?", que já estou começando a pensar que existe mais interesse por parte das pessoas em cortar o meu cabelo do que em me ver na faculdade, além disso nem há cabelo para tanta gente... veremos...

Escrito por Felipe às 11h53
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27/07/2005


É estranho... mas mudei de opnião quanto ao meu azar... não é legal?

Mas é que nunca mais apareceu um mendigo bêbado para falar mal do socialismo lá no meu trampo, nunca mais cai de bicicleta, umas crianças pentelhas que moram aqui perto de casa nunca mais me atacam a pauladas, nunca mais entrei na circular errada e tive de ir embora a pé porque tinha gastado o dinheiro para outro passe numa máquina daquelas bolinhas de chiclete, nunca mais fui detetizado pela caminhonete da SUCAM, nunca mais fui amaldiçoado por ciganas, enfim... todas os acontecimentos insólitos que me sucediam se foram... e agora eu vejo que esse tip de coisa quebrava a monotonia, me dava algo para rir, mesmo que só alguns dias depois... a vida sem azar me parece mais tediosa do que era antes... vem azar! vem!

 

É foda, todo o dia fica um bando de playboy em frente ao meu trampo, fumando, bebendo tereré e escutando axé, pagode e sertanejo. Não vou reclamar dos estilos musicais, porque estou conseguindo me tornar tolerante quanto a isso, e é a única promessa do aniversário do ano passado que estou conseguindo cumprir... então... hoje, ao chegar todo sorridente para mais um dia de trabalho, me deparo com o de sempre, aquela sujeira, que por três dias da semana quem tem de limpar sou eu, já que a empregada não trabalha... mas dessa vez não havia apenas toneladas de pontas de cigarro, papel e outras coisas que essas desgraças deixam. Dessa vez havia algumas garrafas de cerveja, porque essas múmias deixam bem ali, em frente ao meu trampo? Mas o pior não é ter que varrer a sujeira, ter que aguentar as músicas, suas vozes escandalosas, suas conversas sobre carros envenenados e acessórios automobilíscos entre outros assuntos fúteis... o pior foi constatar que em TODAS as doze garrafas havia pelo menos dois dedos de cerveja (a cerveja não tem dedo, estou usando apenas como unidade de medida... euehuhuee), eles jogaram cerveja fora! Eles desperdiçaram kátia! Agora é pessoal!

Escrito por Felipe às 12h10
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24/07/2005


Duas partes... limite de caracteres...

 

Eu, o sonho, as estrelas...

 

Vieste donde, genitor da absurdez?!

Mas que acéfala natureza te criou?

A temeridade pérfida da embriaguez

Ou a fraqueza ôntica que me formou?

 

Ah, sonho!... da sensatez o lupanar!

Quimera, teu bocejo é o armíssono

Que ribomba dos campos do amar,

Sangrento, sobranceiro, altíssono!

 

Fantasia! Que devassidão universal,

Que sujeira metafísica te concebeu?

Que matéria rudimentar, primordial,

Jaz na vil insondabilidade do “eu”?

 

Sim, do “eu”, paradoxo indiscutível!

O apetite insaturável do agora,

Obtusa hipocondria ante a incrível

Herança mitológica da Pandora!

 

Sou o fluxo consciente das epifanias

Devastando as tênues proporções,

O ilogismo das tolas verborragias,

O medo calorífugo das idealizações!

 

Tu me habitas, ousado devaneio,

Pois essa megalomaníaca estesia

Idolatra-te! Esse irascível anseio

De sofrer, de aflição, de covardia!

 

Ah, é assim que a Morte me fascina!

Essa donzela que em todos os velórios,

Nos cruéis requintes de assassina,

Ri do fadário dos corpos transitórios!

 

Escrito por Felipe às 21h10
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Crente na inexistência da ataraxia,

Rebento os meus afélios mundos,

Fecundados no esputo de ambrosia

Dessa senhora de todos os defuntos!

 

Ah! Cosmo ideal, lar fantástico!

És demasiado magnífico à realidade!

E no teu procedimento sorumbático

Engendras a dor, toda musicalidade!

 

E resfolegando padece minha razão,

O abrigo dos grandiosos juízos,

Vejo-a, convulsionando-se no chão,

Estigmas borrifando amores, incisos!

 

Conheço o sustentáculo inabalável,

Ventre do meu próprio Universo,

Que nas tumbas do incomensurável

Cintila a inquietação do controverso.

 

Lá! Dorme, lá! Lá no célico infinito,

Fulgura a luz da minha decadência,

Irradiando o sonho mais bonito:

Tocá-la, na primorosa inexistência!

 

Luz que carrega o frio das criogenias,

De uns deleitosíssimos arrepios,

Ilumine a náusea das fantasias,

Dos ritos fúnebres e mais sombrios!

 

Largo agora toda a realidade

Pois no céu está meu único apego,

Dou-me aos tubérculos da soledade

Na ditosa misantropia dos morcegos!

Escrito por Felipe às 21h06
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14/07/2005


            “Eu sou a espuma que borbulha entre o eflúvio do seu sangue amargo, que esparge das fendas de seu arcabouço violentado, o fervilhar que se derrama saltimbanco no teu véu de estrelas, celestes e intocadas! Não sou como a espuma que verte da mandíbula de um cão hidrófobo, rábido, que vaticina uma ruína inevitável, a fatalidade de um destino sem retorno e anunciado, não! Não sou como essa espuma soez que serve apenas de preâmbulo para o fim! Eu sou como a salgada espuma marinha, que embora seque a boca dos ávidos e seja o castigo dos sôfregos, esvaece beijando a areia branca da praia com a promessa de ressurgir junto ao marulho da próxima onda. Sou o teu termo, o teu suicídio, mas sou também a dádiva do retorno, o juramento de provardes pela agonia o ser que deveras és! A matemática do infinito, equação que não tem resposta, a base te toda inexatidão humana, que vai a caminhar apoiando nos ombros o corpo gangrenado dos sentimentos. Eu os ergo como monólitos de pó, faço com que toquem os sóis e exclamem maravilhados: “Como somos grandes!”. Rebentei das tuas desilusões, das vascas da tua alma. Ornamentei tua existência como uma orquídea que germina em meio ao esterco. Sou a tua grande quimera, os teus sonhos, beija-me a face! Abraça esse teu filho bastardo e abnegado. Estava contorcido em tuas entranhas, agarrado às tuas costelas, mas me arrancas-te num clamor desesperado e entre ladainhas de melancolia. Subjugas-te o teu próprio imo em ordem de fazer-me mais vigoroso, e nutri-me dele como quem engole o sumo lácteo de uma poma materna. Tu me crias-te, não me abandona como um bebê posto numa cesta e jogado às águas desconhecidas de um rio...”.

 

Esse foi um dos últimos pedaços que escrevi do livro. Desisti dele. Não vou jogar fora, mas vai ficar guardado. Desisti porque não sei escrever e porque minhas idéias são primitivas, mas acima de tudo desisti porque não quero que ele se torne a materialização dos meus demônios. Não quero que papel pague por isso. Nem quero vê-lo ali parado e me ver forçado a perguntar: “O que estou fazendo na estante?”. Os poetas são mentirosos, então com a poesia eu continuo. Se não são mentirosos, ao menos dissimulam bem a verdade, o que não sei se é meu caso. Acho que por isso tentava ao máximo dar esse ar poético ao livro, para tentar mascarar seu conteúdo, não queria mostrar que o que estava ali era o meu ser. O papel me prestava uma espécie de ajuda, e pensando agora a pouco acho que não quero mais pedir ajuda, nem ao papel nem a ninguém. Além de colocar fardos nas costas de quem não merece, é desagradável ouvir o grunhido da minha alma implorando por algumas palavras, vai que ela vicia. Perdi o orgulho próprio, que já era ínfimo. Sei que vou me arrepender disso, que um dia eu vou explodir, mas por enquanto não, e eu prefiro acreditar que é o certo...

Não sei... acho que as pessoas não entendem, e acabo escutando coisas doloridas de se ouvir. Os fantasmas ainda me falam coisas que talvez escutaria de mim mesmo, mas ainda é vergonhoso, ainda me fere o orgulho... é engraçado, e estranho... eu me rebaixo, mas essa pontinha de orgulho talvez seja inerente à raça humana, só não quero pagar para ver se ela pode morrer ou não...

Escrito por Felipe às 00h05
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11/07/2005


Dorme, dorme minha menina...

Dorme no mar dos sargaços,

Mais vale ter no mar a sina

Que a serpente nos meus braços...

 

EverVoid...

EverVoid...

EverVoid...

 

Ah!... não fechei o blog...

Escrito por Felipe às 11h38
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06/07/2005


     Olá! Penso em fechar esse blog depois desse post. Sei que não vou conseguir. Estou incomunicável desde domingo a noite. Em casa não converso com ninguém porque estou sempre fora e quando chego estão todos dormindo, no trabalho, tampouco, já no cursinho, o isolamento é total. Talvez acabe escrevendo demais para suprir essa necessidade comunicativa e acabe escrevendo coisas que não escreveria em outra ocasião, ainda bem que poucas pessoas efetivamente vão ler isso.

     Sempre soube o que era o impossível. Sempre apreciei a mágica que se esconde por detrás de suas cortinas, sempre me conformei com o fato do impossível materializar-se em lágrimas e sofrimento, e na mais tola convicção de estar procriando uma verdade dentro da alma (Ora! As verdades não existem!) comecei a apreciar os invariáveis estertores que a vida proporciona, em uns lapsos oníricos que se tornaram permanentes, e em formas novas que eu mesmo esculpi com o carvão do espírito, e que eu mesmo colori com a favila de uma existência paralítica e incinerada por sentimentos exagerados. O que não conhecia, na mais doce ignorância humana, eram as muitas possibilidades do impossível. Ah! Não é um paradoxo, não! Não conhecia os requintes de crueldade que a simplicidade fútil poderia carregar, as sendas por onde o sorrisos arquitetavam suas armadilhas funestamente, não sabia que esse amigo, o impossível, podia me trair, e por um momento cheguei a pensar que a dor que tanto admiro talvez fosse muito grande para ser subestimada por algo tão fraco como o meu ânimo. Usou algo indescritível, avassalarodamente magistral, algo que escavava entre si e tudo o que eu conhecia um abismo monstruoso. Mas a culpa é minha por sucumbir ante essa egrégia emboscada, ante essa maravilhosa armadilha. Eu não tenho desculpa, quem mata em sua própria defesa também é um assassino. Acostumei-me ao impossível, já não o temia. Mas o impossível escondia sua carta, e no meio desse baralho não consigo encontrar outro ás de espadas que não seja a maldita esperança. Ainda assim orgulho-me, o que muito raramente acontece, da minha conduta. Conseguia preterir os sorrisos meigos, e aviltar palavras esperançosas ao nível do que são, apenas palavras, sabia que o monólito romântico do coração tem olhos que só enxergam o que querem e mãos que rascunham esses papiros de esperança. Mas é só uma briguinha, sempre volto a exultar o impossível, a sonhar demasiadamente, e a degustar os efeitos macabros dessa combinação, porque no fundo é disso que eu gosto.

     Hoje eu preferia ter rolado na cama de gripe, como da última vez, mas seria pedir muito. Não consegui dormir, há momentos em que penso que minhas divagações não vão acabar nunca. A pergunta básica que formulava era se matar-se por alguém que desconsidera sua existência é ser idiota ou um novo Werther. Não que venha a faze-lo, sou fraco demais, mas pensar nisso me traz algum alívio, e, não escondo, algum prazer. Não tenho coragem de dizer coisas que gostaria, no tempo em que gostaria, e o tempo não admite esse tipo de moleza, ele dá oportunidades, mas cobra por elas. Tive vontade de chorar, mas segurei. Acordei chorando, nunca havia me acontecido, não adiantou nada. Se fosse forte, tudo o queria ouvir dos vermes que me roeriam seria: "Aquilo não era nada, era só uma brincadeira!", o futuro me valeria de moeda só para escutar isso, afinal o que é o meu futuro senão uns poemas que ninguém lê? Então poderia anunciar o banquete de comemoração cantando: "Era só uma brincadeira!"

Escrito por Felipe às 10h17
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05/07/2005


Viajante

 

Divaga tortuoso em mártires veredas,

De passos vaporosos, o magro viajante,

Sibilando na extravagância das alamedas

Os pesares da senilidade sepultante.

 

Ele recorda das distantes humilhaões,

De ecoantes gargalhadas, densos círios,

Aparentemente sacrossantos corações,

Então pede a cova aberta entre os lírios...

 

Grita, expele o passado multiforme,

Como em ocultos rituais de exorcismo,

Ele murcha, vive, sonha e ele dorme,

Ele perscruta a reentrância do abismo!

 

Não ainda! Perdura ainda um pouco,

Perdura um pouco ainda, andarilho!

Torna-te a sanidade em sonho louco,

Vive ainda um pouco o teu idílio!

 

Haurido do leito das reminiscências,

Do sono metamórfico das crisálidas,

"Quero o sorrido magro das essências!",

Segredou aos flumens de águas pálidas.

 

"Oh! Olhos, diligentes olhos meus,

Que nos gárgulas vigilantes espelhastes

Esse anseio inquieto de tocar o apogeu,

Vós que não mais que a vida divisastes,

 

Sejam guias, sejam guias da verdade!"

Deu dois passos e caiu já malferido,

Perguntando então a toda humanidade:

"Que diferença, escuta o triste alarido,

 

Que vantagem leva a terra dessa estrada

Ao torrão vermívoro do meu jazijo?"

Contrafeito soergueu-se da pedrada

E já viu na realidade um inimigo!

 

Degustou o sumo doce das colméias,

E no néctar dourado daquele mel

Sentiu os estertores de letíficas apnéias

Pois à boca da quimera era fel!

 

Escoou pela noite ao céu indecoroso,

O corpo macilento confiou à sorte,

Viu no cão que jorrava sangue ascoso

Sua própria efígie ululando a dor da morte.

 

"Não mais! Não mais a enferma cicatriz,

Não mais o embrião das melancolias,

Eu te largo, Oh! Meu juízo infeliz!"

E novamente adormeceu com as agonias.

 

No reconforto de ébrios devaneios

Aplaudiu a musicalidade dos gemidos,

E nos prados adustos dos enseios

Plantou a ilusão dos campos floridos!

 

Desceu a mais sombria profundidade

E do mar das utopias trouxe tesouros,

Flutuou pelas nuvens da efemeridade

E motejou todos os bons e maus agouros.

 

Voou, voou e voou... nas vespertinas

Claridades e na maior das escuridões,

Lúridas fantasias, mórbidas, desatinas,

Olhou enamorado as constelações...

 

Ele ascendeu ao infinito do universo,

E ouviu de sua estrela: "Eu te desconheço!"

Ah! Padeceu ensurdecido e finou imerso

Ouvindo o morfético brado do recomeço!

 

Escrito por Felipe às 12h28
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03/07/2005


Quimera... perdoa-me por abrir os olhos... mas não se preocupa... eles são pesados...

 

EverVoid...

EverVoid...

EverVoid...

Escrito por Felipe às 17h31
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25/06/2005


Hoje não dormi, fiquei escrevendo e acabei por criar dois capítulos, que achei que ficaram legais. "Numismática da vingança" e "Despotismo sentimental, rebeldia amorosa", depois eu transcrevo alguns pedaços aqui. Corrigi alguns erros de português (na verdade muitos ehehueuhe), e lendo aquela porcaria me deu vontade de escrever algo com o título "Nasci na época errada", o que começou como um monólogo e terminou mias afeiçoado a uma escrita de livre associação. Não coloco aqui porque é vergonhosa euheuhheuehhue

 

Achei na internet. Como ser um "gótico" ehuehhueeuehuhe Já perceberam como existem góticos hoje em dia?! É uma praga!

 

COMO SE TORNAR UM GÓTICO

USE PRETO!
Dê adeus, aliás, adeus não que gótico que é gótico é ateu, dê um tchauzinho beeeem melancólico às cores. Esse é o pressuposto básico para se ser gótico. Por preto entendam preto. Não é azul marinho, marrom, nem cinza, é preto! Preto desbotado já é cinza, não vale mais.

TENHA UM SOBRETUDO... PRETO!
Gótico sem sobretudo preto é como uma paty sem celular que tira foto ou clubber sem ecstasy. Não importa o calor que faça! Gótico que é gótico está preocupado demais com as angústias da vida e inventando novas maneiras de cometer suicídio, nem percebe que o termômetro marca mais de 37 graus. Mas dispense o óculos. Vc é um gótico, não o Neo.

LEIA LORD BYRON!
Gótico que é gótico tem que ler literatura gótica. Nada de revistinhas da turma da Mônica, Capricho, Tricô & Cia, Cláudia, Lance... gótico que se preza lê coisas que o faça sentir mais miserável do que já se sente. Livros de economia e física quântica também são bons pra isso. Os do Paulo Coelho também são bons... pra morrer de rir!!! Opa! Proibido! Góticos são sérios.

SEJA BISSEXUAL!
Góticos são incompreendidos. Portanto quando vêem alguém que parece os compreender não hesitam em passar o rodo. Seja o que for: homem, mulher, ventilador de teto, larva de salamandra, pneu de bicicleta...E SEM VASELINA! ...gótico que se preza também é sádico e masoquista (embora não saiba a diferença entre os dois!).

TENTE SUICÍDIO!
Gótico que nunca tentou suicídio não é um gótico, é um ursinho carinhoso. Não importa qual foi o método escolhido... superdose de redoxon, cortar os pulsos com tesourinha sem ponta (pra não machucar), se atirar na frente da primeira ferrari verde de bolinhas roxas que passar pela frente, o importante é não conseguir se matar, apenas chamar a atenção.

BEBA!
Já que o suicídio não funcionou, tente uma cirrose hepática. Uma boa pedida é vinho, com seu tom avermelhado que lembra sangue (todo gótico sonha, em um dia, digevoluir pra vampiro) e sua ressaca que te faz colocar as vísceras pra fora de tanto vomitar. Coca Cola também vale, é preto.E gatorate, pra repôr a água perdida por usar sobretudo preto num país tropical.

USEM MAQUIAGEM!
Muita maquiagem...litros de hímel, toneladas de pó pra te deixar pálido (onde já se viu gótico corado?). Gótico que é gótico deixa a janela do quarto fechada, só sai a noite e, mesmo assim com protetor solar, tudo isso pra manter o bronzeado vela. Onde já se viu ... gótico que pega sol!!! Se possível faça o mesmo "tratamento "do Michel "comedor de criancinha literalmente" Jackson. Uma boa pedida é a nova caixa de lápis de olho com 36 tons de preto da Faber Castel (porque gótico de verdade não usa avon), muito útil uma vez que vc irá gastar um lápis em cada olho toda vez que sair de casa...à noite!

ACESSÓRIOS...
Muitos acessórios... ande como uma árvore de natal das trevas, muitas correntes, gargantilhas de tachinha, botas do exército, crucifixos, pentagramas, estrelas de davi, símbolos de anarquia, anel de caveira, de lobisomem, de lobo mau, de Bush (enfim vários ícones do satanismo mundial)... mesmo que não faça idéia do que isso signifique. Se a mamãe deixar coloque um piercing também. Ou tatue morte, inferno, demônio... esse tipo de coisas em letras medievais no braço.

FIQUE DEPRIMIDO
Gótico feliz não existe. Se vc esta feliz vc não é um gótico, é um smurf! Eu sei q vc é bonito, tem uma situação financeira razoável, é saudável, mas arrume pretextos pra ficar mau: Unha quebrada (logo hoje que você tinha comprado esmalte preto), o clipe do Evanescense caiu uma posição no disk mtv, aquele aspirador de pó pro qual você tava dando mole que caga e anda pra vc....não importa! Mas seja infeliz, deprimido, melancólico, angustiado, entediado e incompreensível como matemática ou um poema parnasiano.

LOUVE O CEMITÉRIO!
Assim como muçulmano que se preza vai à Meca pelo menos uma vez na vida, gótico tem que fazer, pelo menos uma vez na vida um ritual wicca no cemitério ( Ah sim! Todo gótico é wicca e vê gente morta, sente gente morta , joga pôquer com gente morta e come gente morta... conotativamente ou denotativamente) mesmo que se borre todo ao ouvir um barulho. E tem que ser antes da meia noite! Depois é o horário do pessoal da macumba.

 

Eu sei que tem gente que realmente é gótico (não era um estilo arquitetônico? ehuehuuhe) e coisa e tal... mas essa onda de "goticismo" é palhaçada...


Escrito por Felipe às 10h31
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19/06/2005


Não costumo colocar meus finais de semana aqui, na verdade acho que só coloquei uma vez, mas esse deve ser reportado, por aqui foi...

 

Ah! isso aqui "/" significa ponto de interrogação... é que está desconfigurado aqui...

 

          Um final de semana "batuta"...

 

          Fui na casa do Fy sexta e no sábado amanheci gripado, tenho certeza que peguei desse lazarento. Na verdade acho que não é apenas uma gripe, porque minha garganta está inflamada, tenho cefaléia, febre e tudo o que tenho direito...

          Bom, fomos na aniversário do Thiago (apesar da insistência da minha mãe em querer me deixar em casa, Ah! Se eu ouvisse minha mãe e seus conselhos médicos, sempre prometo que vou fazer isso, mas acabo não fazendo...). Eu estava morrendo lá, o Fy, igualmente. Depois de ouvir trezentos comentários do tipo "Ah! Tira foto! Eles tão queitos e não estão bebendo!" fomos dar uma volta no centro, o intento era comprar vinho e quem sabe encontrar o Krebs no Tribo´s. Apesar de estar quase convulcionando eu fui. Estavamos passando em frente ao shopping avistamos um figura estranha com fortes tendências homossexuais (foi mal Hugo, não resisti a esse comentário... hehuehuhe). "Olha lá Felipe, aquele cara não é o Clubber/". "Parece que sim... tem jeito de viado... e está em frente do shopping com cinco japonesas...". "É ele mesmo, buzina!". "Claro que é, quem mais ficaria em frente ao shopping quando ele já está fechado/!" respondi.

          Depois de quase meia hora decidindo o que fazer e de acomodar confortavelmente oito pessoas no carro passamos no Disk Cerveja, compramos o vinho, a intenção era ficar lá mesmo tomando, mas fomos para o apartamento de uma das meninas que estava lá. "Lá tem salão de festa, a gente fica sussegado, joga truco e toma batidinha" foi o argumento, que apesar não ser muito convincente foi o bastante para me arrastar para lá, "O salão de festas é quente", pensei, e estava bem frio, não sei se era pela minha moléstia, mas estava. Chegando lá o proferido salão de festas era uma espécie de terraço, ótimo! Lá estava bem mais frio!

          Tinha uma menina, muito louca (tomou um copo de goró e já despirocou) que me dava nos nervos. Ela era realmente irritante. Tive de segura-la algumas vezes para que não caisse, uma hora ela caiu e bateu a cabeça no chão, não pude esconder a minha satisfação. Com se não bastasse, ela roubava no truco, se não fosse do meu time eu certamente ficaria bravo, o que não adiantou nada, já que a cada cinco minutos ela me enfurecia com frases do tipo "Nossa! Nossa! Nunca fiquei tão vermelha! Acho que sou alérgica!", o que era uma contradição, já que ela intercalava frases como "Nossa, vocês nunca me viram bêbada, isso aqui não é nada!".

         Depois de deixar o pessoal em suas respectivas casas, cheguei em casa quase convulcionando, dessa vez era verdade. Abri o portão e dei uma escarrada que me doeu até na alma, não pude deixar de me abaixar para ver aquele martírio, quando percebi que tinha sangue, minha cabeça doeu muito, acho que havia me abaixado rápido demais. Abri a casa num piscar de olhos e fui tomar um banho quente, minha garganta doía destrutivamente, estava com uma dor de cabeça gigantesca e ardia em febre. Tirei a roupa tão rápido que se estivesse no "Se vira nos 30" ainda me sobrava tempo de colocá-la novamente. Entrei em baixo do chuveiro e nem todo o ateísmo do mundo me impediria de exclamar "Deus existe!", era muito reconfortante. Sai e já estava um pouco melhor, tomei um coquetel de remédios e escovei os dentes, minha mãe acordou e perguntou " Quer xarope/". Não relutei, tomei e parecia eu nectar dos deuses, já estava voltando para a cama quando ouço "Tomou xarope, vai escovar os dentes!". AHHHH! Eu escovo os dentes quase 10 vezes por dia (sim, é uma hipérbole... huehuehu), não seria possível que a aquela alma me deixasse escapar só naquele momento/. Não, não era possível. Deitei na cama. Me pareceu ter ouvido uma voz. "Deus/!". Era delicioso, minha cama nunca me pareceu tão macia, quase me converti. Mas se era Deus mesmo passou só para dar boa noite, acho que porque não respondi a paz acabou.

         Eu nem sabia se estava morrendo de frio ou de calor, rolava na cama incontrolavelmente, se rolasse apenas em um sentido pararia no topo do Himaláia. Não consegui dormir e comecei a pensar nas coisas. Suava muito. Demorei quase duas horas para dormir. Foi uma desgraça.

         Acordei no domingo ao meio-dia, estava quase tão ruim quanto no dia anterior. Coloquei um dos meus dvd´s do Chapolin (sim, o sonho está se realizando...) e assisti a uns cinco episódios com meu priminho. Quando eu ria minha garganta doía muito, mas Chapolin é Chapolin e vice-e-versa, não parei de assistir. "Nossa Felipe, você está com muita febre... vamos no posto que eles te dão uma Bezetacil, sara na hora..." disse a minha mãe depois de eu ter tomado uns trinta comprimidos. "Não, nem fudendo! Eu tomo aquela outra que tomei mês passado, Bezetacil, não!". "Mas aquela era de tétano...". "Eu tomo outra...". Não tomei mesmo, não a vacina mais famigerada do território nacional! Assisti ao jogo e dormi na metade, já perdi as contas do número de comprimidos que ingeri. Amanhã eu trabalho e vou ter de atender telefonemas o dia inteiro. Não consigo falar, já estou suando novamente... e tomara que não demore muito para enviar essa mensagem, por que estou morrendo de vontade de dormir, veremos se consigo...

 

(se ficou grande, foi mal...)

Escrito por Felipe às 21h10
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